19-02-2010

Indústria

Mercado interno puxa alta de 12 mil empregos na indústria do Estado de São Paulo

 

Sertãozinho é a segunda cidade no Estado de São Paulo que mais gerou empregos no mês de janeiro deste ano. De acordo com o balanço da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), divulgado na quinta-feira, 11, a cidade teve alta de 2,4% em relação a dezembro de 2009, quando registrou uma redução de 18,61% no número de vagas.

O resultado positivo do mês passado foi influenciado pelas indústrias de máquinas e equipamentos e produtos alimentícios, que aumentaram a oferta de empregos, respectivamente, em 3,4% e 2,9%.

De acordo com o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Sertãozinho, Adézio José Marques, o aumento na geração de empregos já era previsto após o período da crise financeira internacional.

Mas, no acumulado dos últimos 12 meses, a cidade continua ocupando o penúltimo lugar entre as 36 regionais analisadas.

Indústria paulista
O Estado de São Paulo começou 2010 com abertura de 12 mil novas vagas de trabalho na indústria, que representam um aumento de 0,42% em relação a dezembro do ano passado, considerando o ajuste sazonal. Até o final do ano, a perspectiva é que 120 mil vagas sejam preenchidas.

O aumento percentual, sem ajuste sazonal, foi de 0,54% neste primeiro mês, apesar da queda de 60 mil postos, ou de 2,68%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Passamos por um susto, mas agora estamos reagindo bem”, afirmou Walter Sacca, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, que divulgou os dados na quinta-feira.

Esta alta se deve ao aquecimento do mercado interno, iniciado no fim de 2009, principalmente no segmento da Construção Civil, que vem exigindo maior demanda de profissionais, explicou o diretor.

“O Senai formou, em 2009, 38 mil profissionais para a construção, mas o setor ainda reclama da falta de mão de obra”, disse o diretor. “A agenda brasileira para este ano indica que continuaremos abrindo ainda mais postos”, completou.

Variação setorial
Entre as 22 áreas industriais analisadas, 17 tiveram desempenho positivo; três se mantiveram estáveis e apenas duas apresentaram baixa no número de empregos.

Produtos de madeira (insumos da Construção Civil e produtos intermediários) foi o setor com maior número de postos inaugurados, com 1,7%. Em seguida vêm Farmoquímicos e farmacêuticos (1,5%) e Máquinas e equipamentos (1,3%).

Conforme apontou Sacca, todas estas altas no emprego da indústria são resultado das demandas internas. “Máquinas e equipamentos chegou a cair mais de 50% durante a crise, e agora já se encontra na ponta de cima da geração de vagas”, destacou. Para ele, a tendência é que o aumento nas contratações se instaure em todas as frentes industriais.

Já os setores que tiveram queda no número de contratações refletem um fator de sazonalidade: a entressafra da cana de açúcar.

Assim, Coque, petróleo e biocombustíveis e Produtos alimentícios, ambos dependentes do comportamento das usinas, foram os que mais sofreram com o fechamento de postos. Em janeiro apresentaram queda de 3,3% e 0,7%, respectivamente.

“Mas nos próximos meses começa a safra da cana, que vai contribuir bastante para elevar os níveis de emprego que caíram neste mês”, ressaltou o diretor.

Indicadores regionais
A Fiesp apurou os níveis de ocupação em 36 Diretorias Regionais, sendo que 24 delas apresentaram porcentagem positiva na criação de vagas. De acordo com Sacca, “este é um número muito bom para essa época”.

São Carlos liderou as contratações, com saldo positivo de 4,74% de crescimento, seguido por Sertãozinho (2,4%) e Taubaté, com 2,39%.

Entre as regiões com desempenho negativo, São João da Boa Vista apresentou o fechamento de 2,4% das vagas de trabalho, o pior resultado do Estado. Próximo a isso está Araçatuba, que teve queda de 2,1% dos empregos. Presidente Prudente ficou com -0,8%.

“O ano de 2009 foi a nossa ovelha negra, mas 2010 ficará entre os bons anos para o emprego industrial”, concluiu o diretor.