Desperdício

Publicada em: 21/02/2022

Podemos afirmar que quase todos sertanezinos recebem água potável, de uma qualidade mineral, nas torneiras de suas residências.

Esta água é captada do Aquífero Guarani, um manancial subterrâneo com mais de 40 trilhões de litros de água disponível, que ocupa uma área equivalente a quase 5 vezes o Estado de São Paulo.
Esta água seria o suficiente para abastecer 2,5 vezes toda a população brasileira durante 1 ano.

Qual o problema então do elevado consumo deste recurso natural gigantesco?

Primeiro temos que pensar que, sobre este manancial, moram mais de 25 milhões de pessoas, no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Além disso, temos outros usos que não são apenas para o consumo humano, como as utilizações agrícolas, industriais, comerciais e recreativas desta mesma água.

Outro ponto importante a ser considerado é; de que maneira é feita a exploração da água subterrânea?
Precisamos perfurar poços tubulares profundos até a profundidade onde está localizada a água, estamos falando em poços com mais de 400 metros de profundidade em nosso município, podendo alcançar mais de 1.500 m na região oeste do estado de São Paulo.
Estes poços são obras de engenharia que além do elevado custo para implantação, levam até meses para serem perfurados e consomem muita energia elétrica.

Além de todos os custos com a captação por poços, temos o fato de que o volume de reposição da água no aquífero é bem menor que o volume captado diariamente, uma vez que, a entrada de água e, por consequência sua recarga, ocorre apenas em algumas pequenas regiões nos limites de abrangência do Guarani.
Em decorrência disto, os níveis de água dos poços utilizados para o abastecimento público apresentam rebaixamentos, que se agravam conforme avança o número de captações e aumento da demanda hídrica, ou seja, usamos mais água do que a capacidade de reposição do aquífero, diminuindo, ano após ano, o volume reservado.

Somam-se ainda aos custos de fornecimento de água todas as despesas com manutenção, tratamento, controle de qualidade, reservação, substituição e expansão de redes.
Neste ponto vale destacar a diferença entre a perda e o desperdício de água.

A perda ocorre quando o volume produzido não chega até o consumidor, ou seja, é perdido no meio do caminho, em vazamentos não identificados, ligações clandestinas e até mesmo comunicações não conhecidas entre redes de abastecimento.

Já o desperdício acontece quando a água potável que chega na torneira, que vem de um poço tubular profundo com centenas de metros de profundidade, que depois de captada é reservada, tratada, analisada e conduzida por quilômetros de distância através de redes pressurizadas por bombas elétricas, é utilizada para empurrar folhas que caíram na calçada em vez de uma vassoura, quando deixamos uma torneira mal fechada, que apenas gotejando, joga fora quase 50 litros de água em um único dia ou ainda quando jogamos água na rua, como se ela sentisse sede.

Ações simples e já bastante conhecidas, como reduzir o tempo que deixamos torneiras abertas e chuveiros ligados, reutilizar a água de máquinas de lavar roupas para limpeza de pisos e reaproveitar a água da chuva para irrigar o jardim, trazem um efeito imediato e relevante na redução da quantidade de água consumida, preservando os mananciais e aumentando a disponibilidade de água de qualidade para que seja utilizada onde é realmente necessária.

Usamos cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência. Ao navegar neste site, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Entendi